Artigo | Busca contínua por autoconhecimento - um mandamento para o coach

Matias Klinke é consultor, coach e aconselhador biográfico do EcoSocial.
Viver é afinar o instrumento De dentro prá fora De fora prá dentro A toda hora, todo momento" Serra do luar - Walter Franco
O principal instrumento de atuação do coach é ele mesmo, e não existe qualquer ferramenta que possa substituir esse instrumento afinado em sua relação com o performer. Então, surge a pergunta: o que é primordial e necessário para que se consiga uma correta afinação?

A primeira resposta que aparece é o autoconhecimento, o que eu considero também como a principal resposta. Não é possível fazer a afinação de um instrumento que não se conhece, sobretudo porque o coach não é um instrumento acabado, mas que pode e deve estar continuamente em um processo de desenvolvimento.

De forma direta, é o autoconhecimento que possibilita o desenvolvimento das competências do coach nos aspectos humanos e, de forma particular, em seus aspectos profissionais. Para que o coach conquiste o direito de colocar-se em frente a um performer na posição de quem apoiará o seu processo de desenvolvimento, ele próprio tem de estar em desenvolvimento. Isso permitirá que o coach consiga colocar-se à disposição do performer e ao mesmo tempo conter os seus conteúdos internos sem inconscientemente incorrer em mecanismos de poder e controle.

Em um processo autêntico de autoconhecimento, o ser humano depara-se com as suas virtudes e também com as suas sombras, o que pode trazer-lhe resistências na forma de dúvida, de descrença e de medo. Este confronto com nossas alegrias e com nossas dores é o que possibilita que conquistemos a sabedoria. Nesta jornada - que Carlos Drummond de Andrade chama de "a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo"1 - será sempre importante que tenhamos transparência, confiança e protagonismo, buscando manter "a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo"2.

Surgem então mais duas perguntas: quais são as diferentes dimensões em que o coach pode ampliar e aprofundar o conhecimento sobre si mesmo, e de que forma isto pode ser conseguido.

As dimensões são incontáveis, e posso citar como pontos de partida a sua história de vida, com seus desafios, crises e conquistas; a sua identidade, com seus valores, propósitos e visão de futuro; a sua personalidade, com seus temperamentos, atitudes anímicas e tipo psicológico; e a sua relação com o ambiente e como este afeta a autoconfiança e a autoestima.

O mergulho corajoso em si mesmo é a forma essencial para o coach conseguir o autoconhecimento e "descobrir-se em suas próprias e inexploradas entranhas"3, mas nós não devemos deixar de dar importância às percepções externas sobre nós que podemos obter com as pessoas com quem convivemos e incorporar de forma carinhosa diferentes perspectivas em nossa análise. Além disso, alguns instrumentos e ferramentas - como o MBTI - podem ajudar o coach a perceber-se de forma estruturada e ampliada com a oportunidade para novas ações e comportamentos.

A busca contínua por autoconhecimento como base para o autodesenvolvimento genuíno e consistente deve ser um mandamento para o coach virtuoso que tem clareza de como o seu jeito de ser impacta a sua prática profissional.

Citações
1 e 3 - O homem; as viagens - Carlos Drummond de Andrade
2 - Serra do luar - Walter Franco


MATIAS KLINKE
matias.klinke@ecosocial.com.br
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