ARTIGO | Do conflito ao diálogo que constrói

"PRECISAMOS TER UMA CONVERSA SÉRIA!" Era com essa frase que minha avó anunciava que o castigo estava próximo.
VALCÍRIA SERRA
Consultora e Mediadora de Conflitos Organizacionais do EcoSocial


Quando era pequena, adorava brincar de pega-pega, jogar bola, correr atrás dos amiguinhos, brincar de roda, subir em árvores e tantas outras brincadeiras. E, claro, essas travessuras sempre acabavam em uma queda, um vaso quebrado, uma lâmpada espatifada, arranhões por toda perna e braços, tombos monumentais e algumas brigas como as outras crianças.
 
Com os amiguinhos a paz era garantida. Mas, com minha avó, o resultado era outro... Isso sempre resultava em broncas e castigos, e ela sempre começava com essa frase: Precisamos ter uma conversa séria!
 
Anos depois, me dei conta de que ela, sem saber, estava me preparando para um dos temas mais importantes da atualidade: como lidar com os conflitos. Uma conversa séria, mas sem castigo. Uma conversa com muita compreensão dos pontos de vista, do entendimento dos sentimentos presentes e das necessidades que rondam o campo dos conflitos.
 
Restabelecer o diálogo entre as pessoas é um desafio que requer muita vontade, maturidade, coragem, respeito e saúde em todos os níveis. O conflito é como um rio que serpenteia a natureza. Começa numa pequena nascente, e se não parar vai virar uma enorme cachoeira. Com diferenças claras dos resultados.
 
A cachoeira nós apreciamos, ficamos encantados. Dos conflitos nós fugimos, e quando nos damos por conta somos levados pela correnteza do medo, da raiva, da tristeza e de tantos outros sentimentos tóxicos.
 
Uma metodologia salutar para lidar com esse tema tão complexo e mediar questões conflituosas em direção ao caminho da paz e do ganha-ganha tem algumas etapas importantes. Vamos a elas:



ANTES
- O autoconhecimento é parte essencial para qualquer pessoa mediar conflitos.
- Foco e Responsabilidade: durante o processo de mediação de conflitos, muitas situações são desvendadas e o mediador precisa estar inteiro e com total controle sobre o processo. Isso porque vai adentrar em universos particulares e sagrados.
- Preparar-se: estudar, praticar, aprender com as situações. Revisitar-se faz parte do fortalecimento do Eu. “Quem sou eu?”. Essa é a pergunta que temos que nos fazer todos os dias.
- Pequenos detalhes fazem toda a diferença: é preciso cuidar com carinho do ambiente em que conflito será tratado, mediado. Afinal, ser um bom anfitrião abre portas para um início positivo de uma conversa séria.
 
 
 
DURANTE
- É a hora H: o momento do encontro é quando os nervos estão à flor da pele. Mas o mediador sabe como conduzir o processo. O importante é ter clareza do tema, do motivo do conflito.
- O mediador deve combinar as regras do diálogo e apoiar os litigantes a entenderem os pontos de vista, os sentimentos e as necessidades de cada um dos envolvidos. É nesse espaço de tempo que tudo pode acontecer: clareza dos fatos, compreensão, entendimento, e o “ponto de virada” para uma “cachoeira” de ótimas decisões.
- Fazer pedidos e ofertar soluções: isso prepara para as possibilidades de solução. É um momento de grande maturidade dos envolvidos no conflito, de entenderem que direitos e deveres são de todos. As decisões e combinações precisam ser boas para todos.
 
É importante ter consciência que escolhas oriundas de um diálogo consciente, percorrido por um caminho construtivo, conduz ao verdadeiro senso de ganha/ganha. Precisamos ter muitas conversas acolhedoras, construtivas e salutares!
 
 
Valcíria Serra é facilitadora do programa Conversas Difíceis: Como Transformá-las em Diálogos Construtivos.
 
 

VALCIRIA SERRA
valciria.serra@ecosocial.com.br
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