Modelo "Quintessência Organizacional" é lançado em livro por Rubens Gimael, coach e consultor do EcoSocial

Neste dia 19 de setembro, o coach e consultor do EcoSocial Rubens Gimael lança em São Paulo-SP o livro "Quintessência - Integrando Gestão & Governança" (Editora Senac São Paulo). O autor irá palestrar e autografar a publicação na Livraria Cultura do Shopping Market Place. No livro, Rubens propõe o modelo da Quintessência Organizacional, que leva em conta uma visão integral, orgânica e sistêmica das empresas, a partir de seus aspectos concretos e sutis. Nesta entrevista, o autor amplia a abordagem que norteia a publicação.


O que é a Quintessência nas organizações? E como ela pode integrar gestão e governança dentro da sua proposta?
Rubens Gimael – O modelo da Quintessência Organizacional é uma forma de se compreender as empresas como um organismo vivo que busca atingir suas realizações pautado por seus propósitos, e que está em permanente troca com o mercado e a sociedade em que está inserido.
A Quintessência em si é algo sutil que integra, pauta e organiza as empresas. Ela não pode ser percebida concretamente, mas pode sim ser sentida, pois o que dela emana tem forte impacto sobre o ambiente organizacional e, por consequência, sobre as relações internas e externas à empresa. Ela é composta por uma tríade que denominamos como Forças Estruturantes, que são o Capital, o Poder e a Cultura. Dependendo do equilíbrio entre tais forças a empresa será mais ou menos saudável e atrairá pessoas com diferentes características. Essas Forças Estruturantes atuam numa dinâmica permanente e bidirecional com o Núcleo Estrutural influenciando-o e sendo por ele influenciado. O Núcleo Estrutural, que é composto pelos Propósitos, Estratégias, Operações e Realizações, é para a maioria das pessoas a empresa em si, mas consideramos que ele é somente a parte mais perceptível das organizações.  
Dentro disso, entendemos que a Gestão se dá na esfera do Núcleo Estrutural, e a Governança abarca questões da ordem das Forças Estruturantes. Cada uma delas toca em aspectos de natureza distinta, mas que por serem complementares, precisam operar de forma integrada.
 
Pode dar um exemplo desta atuação de forma integrada?
Rubens Gimael – Por exemplo, um desentendimento entre sócios pode trazer sérios desafios para o futuro de um negócio. Não porque a empresa, de repente, passou a ter um problema de gestão, mas sim porque passou a haver uma tensão na esfera da governança e é isso que está afetando a gestão. Num caso como esse, ao trabalharmos o realinhamento entre os sócios iremos gerar as condições para que se sustente a governabilidade, e, portanto, a continuidade da empresa. Há vários casos onde, como consultores, somos chamados para trabalhar questões de uma esfera, mas ao nos aprofundarmos no que ocorre, percebemos que o problema está na outra. Ou seja, é comum sermos chamados para lidar com um sintoma. Nosso desafio é identificarmos as reais causas, pois caso contrário dificilmente conseguiremos ajudar na construção de soluções duradouras e consistentes. E é no despertar dessa percepção que o modelo Quintessência Organizacional traz a sua contribuição.

O contexto do florescimento das empresas do universo virtual, em que a marca é mais valiosa que seus ativos fixos, é destacada por você no livro. Neste sentido, o que mudou na forma das empresas gerarem riquezas?
Rubens Gimael – A geração de riqueza pelas empresas continua a ocorrer na dimensão das realizações, pois é ali que uma empresa oferta ao mercado os produtos e serviços que produz, os valores que gera e a imagem que projeta. Mas para isso é necessário que suas Realizações estejam devidamente alinhadas com seus Propósitos, e que suas Estratégias estejam bem elaboradas e sendo transformadas em Operações consistentes. Assim, a empresa terá como manter tais ofertas num patamar esperado pelos clientes, o que a levará a ter uma alta reputação e adequada rentabilidade. O que mudou, porém, é a própria forma de se compreender riqueza. Há pouco tempo, uma empresa que fosse líder em seu mercado teria ótimas instalações e equipamentos, produtos e serviços confiáveis, uma sólida carteira de clientes e boas reservas financeiras. Ela era valorizada por aquilo que havia conquistado no passado. Hoje, quando analisamos uma empresa como o Facebook, as instalações são irrelevantes, os serviços que presta estão em permanente estado de evolução, os usuários não são propriamente clientes, e o seu valor está mais em função do potencial percebido de articular múltiplos stakeholders e conseguir traduzir isso em valor financeiro no futuro.
Ou seja, tem havido um movimento contínuo do que chamamos de sutilização, onde elementos não concretos passaram a definir o que é sucesso. Por exemplo, tem havido uma crescente valorização dos capitais intelectual e social em relação ao capital financeiro. São os primeiros, que bem articulados, atraem investimentos para o negócio.
 
Você se refere à necessidade de se compreender as organizações tanto em seus aspectos materiais e concretos como nos sutis e simbólicos, e parte da premissa de que “o mundo se configura conforme nós o vemos”. Especialmente no que se refere aos aspectos sutis, você afirma que eles têm um papel organizador do concreto dentro das empresas. Por que motivo, e quais seriam esses aspectos sutis?
Rubens Gimael – As coisas não são por si, mas dependem de como você as vê. Algo para alguém pode ser uma grande oportunidade e ser, simultaneamente, percebida por outra pessoa como uma terrível ameaça. E ambas as pessoas configurarão seus mundos internos e agirão a partir dessas percepções. Assim, a Quintessência Organizacional nasce da busca de oferecer aos players do universo organizacional uma nova forma de ver as empresas, pois isso afetará o modo como elas serão administradas. Se não estamos acordados para o impacto que o nosso modo de ver causa, acreditamos que a forma como vemos as coisas é a “natural”, que o mundo é como o vemos. Mas há diferentes formas de se olhar para a realidade, como a mecanicista, a sistêmica, a orgânica e a sutil. Elas são complementares, não havendo uma que é superior à outra.  
Quanto aos motivos que fazem os aspectos sutis terem um papel organizador do concreto, responda a si mesma a pergunta: qual a importância de seus valores quando entra em um supermercado para fazer compras? Imagine que você esteja com fome e não tenha muito dinheiro. O que pautará suas ações? O seu corpo está gritando por comida! O que fará com que você abra ou não, sorrateiramente a sua mochila e coloque uma barra de chocolate nela? E não estou aqui julgando qual seria o certo ou o errado do ponto de vista social ou moral, pois tanto em um caso como no outro o que pautará suas ações concretas serão aspectos sutis como seus valores, crenças e sonhos. Da mesma forma em uma empresa, onde as questões referentes aos domínios das Forças Estruturantes (Capital / Poder / Cultura) irão pautar as ações concretas.
 
Você pondera que as relações humanas fazem a conexão entre os âmbitos físico e sutil, e que estão no núcleo estruturante nas organizações? Poderia ampliar esse conceito?  
Rubens Gimael – Entendo que as empresas são, sobretudo, ideias que devidamente expressas e concatenadas ganham força e atraem pessoas que se identificam com elas. Assim, as empresas se tornam uns dos principais palcos para que possamos nos desenvolver e nelas se desenrolam as mais complexas relações humanas. Por meio dessas relações, cada um poderá reconhecer o que tem de melhor e de pior. De qualquer forma, as pessoas têm papel central nas empresas, sendo, efetivamente, seu principal ativo por terem a capacidade de se conectar aos propósitos do negócio e atuar para que estes se transformem em realizações. 
 
Na sua visão, quais seriam hoje os principais entraves para empreendedores e organizações desfrutarem e conviverem em um ambiente de mercado e negócios mais saudável e que possa ser cenário para a realização de objetivos e sonhos?
Rubens Gimael – Creio que as empresas privadas têm um papel fundamental para que possamos ser o que podemos nos tornar, para que a criatividade possa se expressar. Assim, é fundamental fortalecer perante a sociedade o papel do empreendedor, pois quando ele começa um negócio está criando, mesmo que de forma inconsciente, um palco onde pessoas que, provavelmente ele ainda não conhece, poderão se relacionar e construir suas vidas. E isso é um privilégio e uma grande responsabilidade também. Uma empresa movida por propósitos que ultrapassem o bem-estar dos sócios, abarcando o bem-estar de seus integrantes, do meio ambiente e da comunidade em que esteja inserida, tende a gerar ambientes mais sadios. Costumo dizer que da mesma forma que as plantas buscam a luz do sol para crescerem, nós humanos buscamos a luz dos propósitos para nos desenvolvermos. Toda vez que uma pessoa tem clareza quanto ao significado maior de suas ações, mais comprometida ela estará com a sustentação de sua empresa.  
Assim, se quisermos remover os entraves aos empreendedores no Brasil devemos, como sociedade e como indivíduos, lançar um novo olhar para as empresas, afinal, o mundo se configura conforme você o vê.
 
 

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