Todos nós temos acompanhado nos dias atuais catástrofes com impactos sociais devastadores e irreversíveis, nas mais diversas proporções, causados por decisões de pessoas, líderes de organizações, pessoas como eu, você ou quem está a seu lado neste momento. Com que qualidade de presença e consciência estas decisões foram tomadas?
As feridas sociais começam silenciosamente com a desatenção e o desequilíbrio da alma humana, de cada indivíduo. Nos últimos 30 anos acompanhamos muitas transformações em termos de evolução de lideranças e nas propostas para que o líder possa dar conta de seu lugar.
Técnicas e ferramentas úteis e valiosas, mas que não são mais suficientes para as necessidades do líder contemporâneo, num mundo onde a diversidade multidimensional das mudanças são mais que complexas, vindo acompanhadas de adjetivos como volatilidade, vulnerabilidade, incerteza, ambiguidade e outros mais que se queira acrescentar.
Cabe aqui uma provocação: olhe ao seu redor e observe quantos colegas e pares buscaram organizações onde imaginavam encontrar um porto seguro para seu desenvolvimento e onde poderiam aportar suas competências únicas, mas se decepcionaram. Encontraram um ambiente tóxico.
Propaganda enganosa ou ilusão, há um fato que é inquestionável e não podemos mais ignorar: há um número significativo de líderes insatisfeitos, adoecidos, entorpecidos e não realizados dentro das organizações.
Precisamos despertar e trabalhar nossa percepção e autopercepção como líder, equilibrando as necessidades individuais com as da organização. Não funciona mais engolir a empresa – seja por seu status, benefícios e até mesmo o propósito – já que as demandas são cada vez mais altas e desafiadoras, levando a extremos.
O ponto é estar na empresa sem se confundir com a empresa. Não somos propriedades alheias e somos co-responsáveis pela realidade à nossa volta, por mais que seja difícil de aceitar. Temos que nos apropriar é de quem somos na nossa essência e assumir nossas responsabilidades e auto responsabilidade. Evoluiremos assim de ego-centrados para eco-centrados. Ganha o indivíduo, ganha a organização e toda a comunidade ao redor.
Como? Há um caminho, que passa pela integração de diferentes âmbitos: do reconhecer a si e a própria história, da autoavaliação contínua, da qualidade dos relacionamentos e da integração com o time e, especialmente, o desenvolvimento de agilidade e consciência nas decisões. Um caminho inteligente, perseverante e compassivo. Estou falando da liderança de si na base da liderança de outros; da comunicação produtiva e gestão das relações; da arte de liderar e delegar.
Enfim, convido você a refletirmos juntos sobre como equilibrar nosso mundo interno e externo, fazendo nossas vidas e a carreiras valerem a pena, resultando num belo legado e em inspiradoras histórias.
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