Por Meire Beraldo
Consultora e coach associada ao EcoSocial
Vivemos num mundo de polaridades. Esse é o nosso grande cenário de aprendizado, que nos coloca frente a escolhas que permitem o exercício de consciência e protagonismo. Nesse estado, mesmo quando não acertamos totalmente, temos a possibilidade de aprender e ser responsáveis pelo que decidimos. Isso é um fato que nos beneficia e fornece um campo de atuação.
O que nem sempre fica claro é que escolhas não significam um OU. Paramos pouco para nos dar conta de que a grande lição está no E. Os dois polos são as faces de uma mesma moeda; um não existe sem o outro. Só conseguimos entender verdadeiramente um se passamos pelo outro. Ambos apresentam aspectos positivos e agradáveis, bem como aspectos difíceis. O grande aprendizado é o movimento entre eles, sem apologia ou negação, reconhecendo qual o momento de um ou de outro. Essa é a escolha.
Nessa perspectiva, trazemos uma reflexão sobre uma qualidade humana fundamental para os nossos dias: o exercício do altruísmo. Não no sentido raso e até piegas como é comumente utilizado. Praticar o altruísmo cria um ciclo positivo, incentivando as pessoas a cuidarem umas das outras e a colaborarem para o bem comum e para o nosso futuro neste planeta.
É importante notar que o altruísmo, assim como a empatia, não é intrinsecamente da nossa natureza. Nascemos e reagimos impulsivamente com egoísmo, frequentemente motivados pela necessidade de sobrevivência e adaptação. O que é natural é a necessidade de individualização movida pelos desejos e interesses do que julgamos ser o melhor para nos distinguir e destacar e assim ocupar um espaço de reconhecimento.
Ao desenvolvermos a consciência, baseada no autoconhecimento e no genuíno interesse em nós mesmos e nos outros, começamos um processo lento e profundo de transição do individualismo para a individuação.
A individuação, conforme descrita por Carl Jung, é um processo pelo qual o ser humano evolui de um estado infantil de identificação para um estado de maior diferenciação, o que implica uma ampliação da consciência. Através desse processo, o indivíduo se identifica menos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual se encontra, e mais com as orientações provenientes do seu eu interior. É onde corpo, sentimentos, alma e espírito se integram para que possa SER.
Esse processo busca estimular o indivíduo a despertar o melhor de si e do outro, tirando-o do isolamento e promovendo uma convivência coletiva maior e saudável. Assim como o corpo precisa de alimento para se manter e desenvolver, a personalidade também requer experiências adequadas para se individuar. Não é um movimento de chegada. É um processo contínuo de altos e baixos, avanços e recuos que exige perseverança e cuidados.
Este caminho é baseado numa jornada de autoconhecimento, onde a pessoa busca compreender sua própria essência e seu lugar no universo, integrando diferentes aspectos de si e conectando-se com a natureza e a comunidade. Esse processo passa necessariamente pela aproximação entre seres que vivem os princípios da doação e gratidão, do interesse genuíno pelo outro, do respeito pela liberdade e expressão, da empatia que conduz à compreensão ampla sem julgamentos, e do consequente vínculo de confiança.
É nesse campo que conseguimos tocar o verdadeiro altruísmo. Portanto, o altruísmo é algo a ser desenvolvido, praticado e cuidado para que possamos tocá-lo efetivamente.
Assim como em toda polaridade, um lado não existe sem o outro. Ambos os polos têm seu lado bom e necessário. A tarefa é encontrar o equilíbrio entre as forças do ego e o altruísmo, como uma dança que nos conduz ao melhor de nós mesmos, disponível para o bem comum.
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