ARTIGO | O medo de não ser "bom o suficiente"

DULCE RIBEIRO
Coach e Aconselhadora Biográfica do EcoSocial
 
O medo e o ego são os principais sabotadores dos nossos projetos e sonhos. De tanto esperar pela entrega perfeita ou pelo plano que tem que dar certo, vamos sendo corroídos por verdadeiros demônios. A possibilidade de errar antecipa o sentimento de vergonha, aprisionando a capacidade de criar e transformar. Assim, as necessidades humanas de reconhecimento, expressão e de fazer conexões são soterradas pela crença de nunca estar bom o suficiente. Melhor não falar do que dizer uma besteira, melhor não expor uma ideia pois pode estar errada, ou ser inútil, ou não ser aproveitada...
 
O que nos leva, afinal, a desperdiçar e até a não reconhecer a nossa capacidade criativa? A falta de coragem e a busca pela segurança e certeza. E isso sempre contribui para que façamos mais do mesmo, num espaço conhecido.

A dificuldade de encarar o medo e de lidar com a imperfeição produz mesmice, além de realçar os egos seguros de si. Já a ousadia e a criação reconhecem no equilíbrio entre a coragem e o medo, a certeza e a incerteza, o erro e o acerto, a estrutura para o nascimento do novo.
Para tanto, é preciso romper crenças e paradigmas, entrar no vazio e sentir a vulnerabilidade como força, não insegurança. Os demônios do medo e do ego buscam a palavra correta, a ideia brilhante, o trabalho perfeito. Sem tempo e espaço para relaxar, produzem o temor, a falta de originalidade e a arrogância. De onde vem a crença que temos que acertar apenas? Da infância? Da escola? Levante a mão quem nunca errou, quem nunca levou um fora...
 
Quem tentou algo novo experimentou o frio na barriga, as borboletas saindo pela boca e o prazer imensurável de ter feito algo autêntico, que faz sentido e transforma.
 
Já os sentimentos produzidos na vulnerabilidade podem ser a frustração, a tristeza, a raiva... Boas razões para voltar para o canto seguro e desistir, pois sempre haverá alguém nessa hora para afirmar: “Eu falei que não iria dar certo”.
 
Agora, quando o frio na barriga alimenta a coragem é porque o prazer da criação foi descoberto, e este ser humano começa a atuar com a força da autenticidade genuína. Para ser autêntico e ocupar o nosso lugar único no mundo, é necessário autoconhecimento, transformação interior e essa coragem para transpor a barreira da segurança imaginária e encontrar-se com o prazer de criar, imaginar e construir o futuro que se queremos. 

DULCE RIBEIRO
dulce.ribeiro@ecosocial.com.br
Compartilhe >

EcoSocial

Newsletter

Linkedin Facebook