Obra sobre a Ecologia Social no Brasil é lançada por Regina Erismann

Através da recuperação de documentos importantes e de mais de 40 entrevistas com pessoas que ajudaram a difundir a Ecologia Social no Brasil, a coach e consultora do EcoSocial Regina Erismann faz um resgate histórico do impulso no Brasil, no livro Ecologia Social: O ser humano como ponte para uma nova realidade (Editora QuintAventura). A obra tem lançamento no dia 15 de maio, em Botucatu-SP, no Espaço Quinta Palavra (Rua Dr. Costa Leite, 232), com sessão de autógrafos às 19h.
Sobre o processo de construção do livro e a importância de registar a história da Ecologia Social no Brasil, a autora falou nesta entrevista.

Como surgiu a ideia de compilar a história da Ecologia Social no Brasil e como foi o processo de construção desta obra, que traz o depoimento de personagens importantes para a difusão do impulso no país? 

REGINA ERISMANNLex Bos, um dos fundadores do Triodos Bank (o maior banco sustentável do mundo) e do Nederlands Pedagogisch Instituut – NPI (primeira consultoria ecológica social), ambos na Holanda,  veio periodicamente ao Brasil entre 1973 e 1999, e construiu aqui uma trajetória de grande influência em pessoas, escolas e organizações. Lex inspirou e apoiou o desenvolvimento de vários jovens que se tornaram  pioneiros de iniciativas antroposóficas como o Instituto Elo, a Escola Waldorf Anabá, o movimento de medicina antroposófica na Associação Monte Azul, o Centro Paulus de  Estudos Goetheanísticos, o movimento de Euritmia no Brasil, o Movimento Corrente Viva e várias consultorias de desenvolvimento. Lex Bos é também autor de diversos livros traduzidos para o português, muitos deles escritos e inspirados no trabalho no Brasil, como por exemplo “Desafios para uma Pedagogia Social“ e “Confiança, Doação, Gratidão: forças construtivas da vida social“.
Em sua última vinda ao país, em 1999, Lex me pediu para escrever a história da Ecologia Social no Brasil no fluxo de suas realizações, pois, como um dos pioneiros desta história, não queria escrever sobre si próprio. Fiquei muito honrada com o convite e aceitei sem pensar no trabalho que isto desencadearia. Posteriormente, recebi dele todo o material (cartas, relatórios, atas) organizado por ele, em alemão e holandês. Contei para a Adma Guazelli, na época presidente do Ecosocial, sobre o trabalho que estava realizando. Ela me sugeriu que expandisse a abrangência e trouxesse a história de todo o impulso no Brasil e não só a vertente de Lex Bos. Mais uma vez, me entusiasmei e aceitei o desafio.
No processo, realizei 40 entrevistas, 35 no Brasil e cinco em encontros na Europa. Dos 40 entrevistados, quatro já faleceram. Entre receber o pedido de Lex e, um ano depois, o material, traduzi-lo, criar o projeto, fazer entrevistas, escrever o livro e publicá-lo, foram sete anos trabalhando em fins de semanas e feriados, no espaço de tempo que tinha disponível.
Entre os entrevistados, estão os pioneiros do NPI da Holanda Jack Moens, Lex Bos, Fritz Glasl, Berndt Kloke e Adrian Beckman. No Brasil, Daniel Burkhard (fundador da primeira consultoria ecológica social), Jacques Uljée (do NPI da Holanda), Jos Schoenmaker (IMO Brasil), Vera Oliveira (Lumo), Jair Moggi (Adigo DEF) e Silvio Urbano (Germinar).

Qual a importância desse resgate histórico para a difusão do impulso da Ecologia Social no Brasil?
REGINA ERISMANNFomos crescendo, fazendo história e nos distanciando, o que foi importante para construirmos as identidades. O livro vem lembrar a todos de nossas raízes  comuns e reforçar as bases e princípios do impulso social ecológico. E para aqueles que não tiveram a oportunidade de entrar em contato, o livro apresenta a Ecologia Social como caminho para a transformação social. 
 
Como o seu livro aborda as principais contribuições da Ecologia Social para o fortalecimento das instituições e a sua relação com a sociedade?
REGINA ERISMANNO livro traz exemplos de processos de consultoria, coaching e educação de adulto, em que o profissional (consultor, coach, educador) se vincula ao cliente e à sua instituição com interesse genuíno e cria processos onde os clientes são convidados/ desafiados a atuar com consciência, coração e vontade para assumir responsabilidades, atuar com protagonismo e desenvolver a si próprios e suas instituições. Este é um caminho de mudança social. 
 
Como você entende que a Ecologia Social se relaciona com o momento atual, em que cada vez mais são debatidas alternativas ao modelo econômico estabelecido?
REGINA ERISMANNEsta é uma grande pergunta. A trimembração social, trazida por Rudolf Steiner e base da Ecologia Social, colocas-se num espaço que não é capitalista nem socialista. A divisão direita/esquerda, separa e, portanto, não é social. No olhar trimembrado, o organismo social se expressa em três áreas distintas igualmente interdependentes: os campos cultural, social e econômico, cada uma com suas próprias características, pedindo tratamento diferenciado. O cultural é o espaço de liberdade de criação e expressão; o jurídico, de igualdade, pois sem a qual não se faz justiça; e o econômico, de fraternidade. Estas qualidades só estarão presentes se o homem as desenvolver em sua alma e as praticar na vida e no trabalho.  A Ecologia Social oferece condições para indivíduos e grupos terem a possibilidade de fortalecer essas qualidades em si, criando com consciência estruturas em prol da saúde social.
 
E quais são as potencialidades da Ecologia Social para o futuro?
REGINA ERISMANNTemos feito um trabalho muito silencioso e abrangente. Não sei contar quantos milhares de pessoas já foram impactadas e estão atentas aos propósitos de suas vidas, de suas instituições, e atuam buscando promover a saúde social e  humanizar os espaços que ocupam. Certamente, na direção do futuro, os aspectos que a Ecologia Social aborda e trabalha nas pessoas e nas institutições se revelará de grande importância e força para o advento de um ser humano apto à vida com plenitude, consciência e reconhecimento.
 
 
O livro também terá lançamento com sessão de autógrafos em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo.
 

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